Lista de verificação estruturada para avaliar o estágio atual de uma organização — não pelo que se pretende, mas pelo que se consegue comprovar. Ponto de partida para diagnóstico interno honesto.
Um autodiagnóstico que troca percepção por dado. Cinco passos do preenchimento à leitura do resultado.
Avalia composição racial nas posições de poder e a existência de estruturas que responsabilizem a liderança por resultados. É a dimensão que separa compromisso declarado de compromisso com consequência.
O que uma pessoa negra percebe ao entrar na organização — o que não está escrito em lugar nenhum. Segurança para falar de raça, comportamentos tolerados, abertura para a conversa acontecer sem precisar de uma crise para forçá-la.
A representação racial aparece no centro da comunicação ou apenas na periferia — e quem decide o que se mostra. A dimensão mais visível e, por isso, a mais sujeita a parecer avançada sem sustentação real.
Avalia se equidade racial é eixo da estratégia ou iniciativa paralela. Revela se o tema atravessa as decisões de negócio ou vive apartado — num projeto à parte que não muda o que de fato importa.
Organizações raramente estão no mesmo estágio nas quatro dimensões. A de menor pontuação é a que define o ritmo real — e costuma ser a estrutural, não a visível.
Uma observação sobre o método. Este checklist é um autodiagnóstico — depende da honestidade de quem responde. Por isso a evidência importa mais que a nota: se você não consegue apontar a prova de uma resposta, a pontuação provavelmente é mais baixa do que parece. A inconsistência entre dimensões não é um defeito — é o dado mais valioso que o diagnóstico produz.
A inconsistência entre o que a marca mostra e o que ela sustenta por dentro não é um defeito a esconder — é o dado que gera mais tração na conversa com a liderança.
Samuel Martins — Consultor de branding com foco em equidade racial · Salvador, Bahia